ISSN: 2155-9570
Ana Carolina Pasquini Raiza, Marcos Balbino*, Julia Thiemi Takiuti, Vitor Kazuo Lotto Takahashi, Artur Del Santo, Eduardo Minelli, Regina Cele Silveira Seixas
Objectivo do estudo: Determinar o impacto da Realidade Virtual 3D na adesão dos doentes aos três meses de tratamento para o glaucoma.
Materiais e métodos: Ensaio clínico randomizado, simples-cego. Setenta doentes foram randomizados para receber informação sobre o glaucoma via Realidade Virtual 3D (grupo 3D, 35 doentes) ou via material impresso (grupo controlo, 35 doentes). A medição média de ambos os olhos de todos os doentes foi utilizada para avaliar os resultados. A randomização foi estratificada para equilibrar o número de doentes em monoterapia ou politerapia entre os grupos.
Na primeira consulta, os doentes do grupo de Realidade Virtual 3D visualizaram um vídeo 3D sobre o glaucoma; os doentes do grupo controlo receberam informação através de material impresso. As medidas de desfecho primário foram a pressão intraocular (PIO), a paquimetria corneana e o campo visual, realizadas na primeira consulta e nas consultas de três meses.
Resultados: Nem a Paquimetria Corneana nem o Campo Visual se alteraram após os três meses de tratamento; no entanto, a PIO global diminuiu (p=0,0001). A variação da PIO não diferiu entre os doentes em monoterapia e em politerapia (p=0,15). As mulheres tiveram tendência para um melhor controlo da PIO do que os homens, mas o efeito não atingiu significância estatística (p=0,055). Embora a variação global da PIO não tenha diferido entre os grupos 3D e Controlo (p=0,25), a diminuição da PIO foi maior no grupo 3D do que no grupo controlo, nos estratos de monoterapia (p=0,006).
Conclusão: Os nossos dados mostraram que a estimulação virtual 3D não melhorou a adesão ao tratamento do glaucoma em três meses. Contudo, pode melhorar a adesão em doentes em fases iniciais ou menos afetados pela doença, como aqueles em monoterapia. Para estes doentes, recomendamos mais estudos com amostras maiores.