Jornal de Oftalmologia Clínica e Experimental

Jornal de Oftalmologia Clínica e Experimental
Acesso livre

ISSN: 2155-9570

Abstrato

Neurorretinite estelar revelando lúpus eritematoso sistémico sem síndrome antifosfolípido

Kawtar Zaoui, Youssouf Benmoh, Ahmed Bourazza e Karim Reda

Introdução: O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença sistémica autoimune de múltiplas faces, secundária a anticorpos autorreagentes dirigidos ao antigénio nuclear. O envolvimento do nervo ótico é relatado em menos de 1% dos casos de LES, dominado por neurite ótica e neuropatia ótica isquémica. A neurorretinite é definida como uma inflamação do nervo ótico e da retina neural. Relatamos um caso raro de neurorretinite como forma reveladora de LES num homem jovem.
Relato de caso : adolescente de 14 anos, previamente saudável, apresentou, um mês antes do seu internamento, perda visual bilateral rapidamente progressiva, sem sinais associados. A avaliação da acuidade visual revelou perda visual estimada em 2/10 do olho direito e 3/10 do olho esquerdo com correção. Fundo ocular objetivado macular estelar bilateral com exsudados do disco ótico intermacular e palidez papilar moderada. A OCT macular encontrou exsudados na camada plexiforme da retina. Outro teste paraclínico encontrou bicitopenia com anticorpos antinucleares e anti-DNA positivos; sem anticorpo anti-posfolipídico. O doente foi submetido a corticoterapia com evolução favorável.
Discussão: A neurorretinite não figurou como causa habitual de perda visual no LES; além disso, muito raramente foi reportado como uma forma reveladora de LES. A patogénese exata por detrás da neurorretinite no LES permanece desconhecida. O início súbito de perda de visão unilateral e indolor é a apresentação clínica típica da neurorretinite. Diversas etiologias podem levar à neurorretinite, dominada por doenças infeciosas (bartonelose, borreliose, sífilis, herpes, hepatite, VIH, CMV, Varicela, EBV, Toxoplasmose, Tuberculose). Além disso, a neurorretinite pode ser idiopática. No que diz respeito à terapêutica, não são relatadas orientações claras na neurorretinite que ocorre no LES. O prognóstico visual é excelente, com mais de 90% dos casos a atingirem acuidade visual final.
Conclusão: Ficámos a saber com este caso que a neurorretinite pode ser a forma reveladora do LES. Isto sugere a necessidade de revisão do critério do LES, especialmente que a neurorretinite faz parte da forma grave.

Isenção de responsabilidade: Este resumo foi traduzido com recurso a ferramentas de inteligência artificial e ainda não foi revisto ou verificado.
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